Terça-feira, Junho 17, 2008
Terça-feira, Junho 03, 2008
Parar
Parar, ficar calado, quieto. Deixar o silêncio amadurecer tudo aquilo que disse, que escrevi. Deixar as palavras ganharem saudades de mim, de ti.
Parar, deixar os dedos repousar sobre as teclas gastas do computador. Parar de olhar, de olhos fechados, deixar de sentir na escuridão da Noite. Simplesmente parar, para respirar.
Parar de ouvir, por entre o ruído do dia, na calada da Noite, as vozes que choram e sonham com paradigmas perdidos. Parar para pensar, deixar de sonhar.
Parar no meio da rua, sem temer o atropelo das massas, parar entre as árvores do jardim, para apreciar a natureza, a realidade que ali se me apresenta.
Vou guardar as palavras que ainda sobram, acomodá-las no baú da minha alma, onde guardarão a saudade, o sonho e a utopia envoltas em papeis envelhecidos.
Vou deixar o corpo seguir nas ondas da vida, entregue às correntes deste oceano de gentes que flui de um lado a outro sem saber para onde vai.
Vou depositar os sonhos, num barco de papel, rumo a lado nenhum, esperando que a fraca consistência da embarcação, não os faça soçobrar.
Vou calar as minhas letras, fechando as mãos para que não me fujam para lugar nenhum, desligar o computador e parar...
A Noite vai deixar o dia tomar conta do espaço, vai silenciar-se e recolher-se. O espaço começa a ser exíguo e as letras teimam em agrupar-se sempre da mesma maneira. É verdade que desde tempos imemoráveis que a noite sucede ao dia numa aparente monotonia, mas penso que esta Noite precisa de um fôlego novo, ou do silêncio eterno, não sei qual deles vencerá, mas seguramente esta Noite jamais será a mesma.
A todos aqueles que anos a fio adormeceram nos sonhos da Noite, deixo-vos um até já, ou... um até sempre.
Parar, deixar os dedos repousar sobre as teclas gastas do computador. Parar de olhar, de olhos fechados, deixar de sentir na escuridão da Noite. Simplesmente parar, para respirar.
Parar de ouvir, por entre o ruído do dia, na calada da Noite, as vozes que choram e sonham com paradigmas perdidos. Parar para pensar, deixar de sonhar.
Parar no meio da rua, sem temer o atropelo das massas, parar entre as árvores do jardim, para apreciar a natureza, a realidade que ali se me apresenta.
Vou guardar as palavras que ainda sobram, acomodá-las no baú da minha alma, onde guardarão a saudade, o sonho e a utopia envoltas em papeis envelhecidos.
Vou deixar o corpo seguir nas ondas da vida, entregue às correntes deste oceano de gentes que flui de um lado a outro sem saber para onde vai.
Vou depositar os sonhos, num barco de papel, rumo a lado nenhum, esperando que a fraca consistência da embarcação, não os faça soçobrar.
Vou calar as minhas letras, fechando as mãos para que não me fujam para lugar nenhum, desligar o computador e parar...
A Noite vai deixar o dia tomar conta do espaço, vai silenciar-se e recolher-se. O espaço começa a ser exíguo e as letras teimam em agrupar-se sempre da mesma maneira. É verdade que desde tempos imemoráveis que a noite sucede ao dia numa aparente monotonia, mas penso que esta Noite precisa de um fôlego novo, ou do silêncio eterno, não sei qual deles vencerá, mas seguramente esta Noite jamais será a mesma.
A todos aqueles que anos a fio adormeceram nos sonhos da Noite, deixo-vos um até já, ou... um até sempre.
Sexta-feira, Maio 30, 2008
Universo
Surges das sombras, como reflexo do teu próprio corpo desnudo. Vens, em gestos lentos como a brisa de um sopro de vento. O perfume da tua pele precede-te, como prelúdio de um instante que está para chegar. O fogo da tua alma incendeia o ar que se aquece em ti. A música geme a tua voz que se abraça com as notas fazendo a letra gritar mais alto que o próprio prazer.Eu, espectador deste momento, quedo-me sentado, esperando pelo meu tempo. Deixo o meu olhar deslizar por todo o teu perfil, com um suave traço de contorno, um risco imaginário com a ponta dos dedos. Apuro os sentidos, retirando ao brilho que ofusca o olhar o calor que me aquece a pele. Inalo-te, em cada inspiração, como se te houvesses dissolvido na atmosfera.
Quando os corpos se encontram, o Universo recomeça com uma explosão de energias que iluminam o infinito vazio de cor. O tempo começa do zero, como se antes não existisse um único segundo. As bocas calam-se num beijo longo e no olhar nascem as primeiras galáxias, remoinhos de prazer que rodopiam no espaço.
Quarta-feira, Maio 28, 2008
Imaginação
És paisagem suave que meus olhos adentra, ténue colina que teu corpo desenha nas curvas duma pele suave que brilha. És silêncio, calmaria e porto que me abriga, lugar secreto onde meu corpo se entrega, se amarra em teu prazer e teu desejo. És abraço que me aperta a alma, fundindo-a na tua, lugar comum entre mundos dispersos, distantes, contudo tão perto.És miragem que aos olhos se ilumina, febre que este calor intenso domina. És sede, loucura e desejo, que apenas minha mente se atreve a desenhar, és tudo e afinal não és absolutamente nada. Utopia imaginada sobre o papel, lugar doce ou mel, que jorra de teus lábios de mulher. Luxúria, puro devaneio que em meu âmago transporto como se realmente fosses minha.
Não passas do horizonte longínquo onde nunca vou chegar, mera paisagem para me deliciar, ficar aqui, apenas a olhar. És fruto da minha imaginação, risco de carvão em minha tela, pureza inventada do quase nada. És o meu olhar que te encontra o corpo em qualquer protuberância.
Segunda-feira, Maio 26, 2008
Paraíso perdido
Procuras em mim o paraíso perdido, qual Eva prestes a comer da maçã do pecado, procurando nela a salvação desejada. Teu corpo desnudo transborda o rio de prazer que sentes em mim, como se fosse meu o teu fogo como se fosses tu o meu lume. Sinto o calor da tua pele que irradia por todo o Universo, como um Sol que não brilha mas queima, como brasa adormecida entre cinzas.Tua alma brilhante, trespassa a escuridão do quarto, cruzando céus escuros, atravessando gotas de chuva, desfazendo-se num arco-íris multicolor. Deixas a minha Noite iluminada com a aurora boreal, luz dos sonhos que em mim acordas, brilho distante do teu olhar profundo. Teu sorriso desenha o teu rosto, centro da alegria com que me recebes entre os braços que me envolvem.
Entre os passos perdidos no quarto que habitas, na longa espera, deixas perfumes de incenso no ar, inebriando-me ao chegar. E recebes-me de corpo aberto, deixando-me entrar em ti, com o prazer do meu corpo e o fogo do meu espírito que te consome ardentemente pela noite dentro.
Segunda-feira, Maio 19, 2008
Amor num acto só
Tatuo teu corpo a letras de fogo. Prazer imolado em frases. Sentidos despertos que sublimam a libido num instante em que os corpos distantes se unem no infinito. Devoramos metáforas em doses maciças, incenso disperso pelo quarto que nos acolhe. Gemidos que se calam nas palavras que os desnudam, como senso último de todo o desejo.Tango a dois corpos dançado, musica que embala o destino, cortando o vazio que à volta se condensa, como gotas do suor derramado pelo êxtase dos silêncios consumados. Meus braços sujeitam teu corpo desnudo conta o meu, teus cabelos feitos de ventos soprados, passeiam-se pelo espaço como galáxias, e o brilho dos olhos que vejo, são sois que os meus guiam neste bailado perfeito.
Colho os pedaços da alma, como átomos dispersos do teu ser, que moldo em flor de luz e prazer. Ensaio as letras que cantam as músicas nos ritmos que os corpos deixam quando as forças jamais os sujeitam. E ali, perdidos no meio do palco, actores deste belo acto, deixamos abandonados à ausência de público, os corpos, trajes despidos das almas, que partiram para lá de eternidade.
Terça-feira, Maio 13, 2008
Mar vazio
Na magia dos dedos, nascem silêncios, pausas, lamentos que trespassam o céu azul e a Noite escura, adormecendo no horizonte sobre as águas do mar. Cresce na brisa, voa na ventania, corre veloz em plena tempestade, como sinal, completa catástrofe. Ouve-se no vazio um som, um grito abafado, uma voz rouca que chora, um pranto amplamente calado.Perde-se no oceano profundo, afogando a esperança consigo, levando na alma a dor que rasga o peito e mil tormentos. Sente na pele arrepios, na boca amargo fel degusta, mas lá fundo no meio do mar, encontrará o seu tão desejado lugar. Adormecer de olhos aberto, como se sonhasse dormida, deixa-se ficar em sua concha de cristal.
O horizonte adormecido sobre as águas desse mar tranquilo, espera tarde após tarde, que regresse, que venha beijar o seu céu, que venha iluminar sua noite, com mais uma estrela que brilhe no firmamento. Nosilêncio que invade o ar, sente-se a saudade do seu cantar.
